Textos sem pé nem cabeça #1

Quando será que melhora? Quanto tempo demora pra gente conseguir olhar pros outros? Será que é um tempo interno? Será que é o acaso? Será que é sentimento? Ou será que é fogo? O que tenho pensado é que uma coisa não está necessariamente entrelaçada à outra. Desejo e paixão. Será que minha vontade de estar só comigo é uma forma de me apagar? Qual será o limite de nós próprios? Será que nos procurar é bom só até um ponto? Depois desse ponto, será que nos perdemos em nós mesmos? Ou será que só não estamos mais nos padrões que nos são impostos? Será que a felicidade, de fato, só é real quando compartilhada? Mas e o que fazer com os momentos de alegria que tenho comigo mesma? Será que diminui se eu não conto pra alguém? Acho que há felicidades que se gritam e felicidades que se mantêm quietinhas. De qualquer forma, é felicidade. Talvez isso é só o que se diz da partilha. Estar feliz em plurais é intenso. Vivemos com os outros, nunca sós. Mas essa necessidade quase desesperada de não podermos estar sozinhos é o que mais me incomoda. Qual é? Por vezes essa nem sequer é uma necessidade nossa. É algo externo que tomamos para nós. Quantas vezes não fazemos isso? Tomar conceitos alheios como nossos só porque há ali um espaço vazio? É por isso que é importante pensarmos por conta própria. Nos voltarmos pra dentro, questionarmos a nós mesmos. O que você pensa sobre isso? O que você sente sobre isso? Você realmente acha aquele livro bom? Aquele pessoa bonita? A necessidade (desesperada) de não nos deixarmos sós é tão forte que é cíclica. Por que é tão difícil discordar? Qual é o problema em dizer não? Você apaga quem é só pra não deixar o outro constrangido? Não faz muito sentido. Discordar não é atacar. Discordar, na realidade, é uma ótima oportunidade para avançar.

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